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Moana e a dimensão arquetípica da Psique

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Muitos indivíduos já viveram a experiência de terem pais amorosos e presentes, mas preocupados. Preocupados em evitar que seus os filhos sofram daquilo que um dia eles ou os seus ancestrais padeceram. Portanto transmitem inconscientemente um mito familiar que será passado de geração a geração, minando a força vital dos envolvidos, até que algum membro da família seja capaz de quebrar o elo da corrente. No caso de Moana, tal mito transgeracional fere o cerne de sua alma. Ela possui um espírito heróico e aventureiro, representado pela figura anímica do semi-deus Maui, que simbolicamente foi lançado ao mar - o inconsciente - pela dificuldade de acolhimento e aceitação de sua família à essa característica de sua personalidade. Resulta que Maui perde o seu poder enquanto figura interior na psique de Moana. Ela precisa resgatar seu Animus e recuperar seu poder, simbolizado pelo anzol. O arquétipo da mãe terrível, aqui representado por Te Ka, se constela na psique do indivíduo ...

O outro que vive em mim

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Freud, em sua obra “O mal estar da civilização”, chega a conclusão de que a repressão de nossos instintos, desejos e sentimentos mais obscuros seria o preço que pagamos pela manutenção do equilíbrio social. Segundo ele, sem tal repressão a civilização e a convivência grupal se tornariam impraticáveis. No entanto, Jung vai além. Para ele, impulsos auto-destrutivos e sentimentos socialmente inaceitáveis fazem parte da natureza humana. Enquanto conteúdos que não aceitamos e não admitimos possuir, estes ficam relegados a nossa sombra. A diferença de pensamento entre os autores reside no fato de que, enquanto que para Freud a repressão destes conteúdos seria aquilo que possibilitaria a convivência em sociedade; para Jung, a repressão destes sentimentos, emoções e instintos apenas confeririam mais força e autonomia a estes, possibilitando a formação de complexos autônomos  capazes de se impor à vontade do ego; resultando em atos que o indivíduo conscientemente não deseja realizar ...

Considerações sobre O Cisne Negro

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O filme “O Cisne Negro”, na belíssima atuação de Natalie Portman como Nina, relata a história de uma bailarina que desejava alcançar a perfeição. Filha de uma mãe que devora sua individualidade ao depositar em Nina sua frustração por não haver ela mesmo se desenvolvido em sua carreira como bailarina.   Por sua vez, a protagonista ocupa este lugar que lhe é oferecido vivendo unilateralmente o papel da filha-bailarina, almejando perfeição e podando todas as suas demais possibilidades de vir-à-ser. Se Nina fosse uma mulher de carne e osso, poderíamos dizer que na tentativa de atender às expectativas e não perder o amor do outro ela se mantém infantilizada, em seu quarto de borboletas cor-de-rosa e ursos de pelúcia, negligenciando sua sexualidade e agressividade, vivendo em busca da perfeição e do sucesso ancorados no desejo do outro. O cisne negro, enquanto símbolo de tudo aquilo que ela mantinha sob severo controle, representa seus aspectos sufocados que pedem ex...