Freud e Jung



Impossível fazer jus ao extenso trabalho destes dois grandes teóricos da psicologia profunda em apenas algumas palavras. No entanto, neste texto procuro delinear superficialmente a psicoterapia conforme proposta por Freud e Jung.


Principais diferenças entre Freud e Jung


Freud desenvolveu sua teoria no final da era vitoriana, marcada por grande repressão sexual. Estudando casos de histeria chegou à conclusão de que conteúdos de natureza sexual reprimidos seriam os grandes causadores de neurose. Seu tratamento psicoterapêutico consistia na livre associação de palavras e interpretação de sonhos para trazer à luz da consciência tais conteúdos recalcados, o que teria um efeito libertador dos sintomas neuróticos.

A principal divergência entre os dois teóricos e o que leva ao seu consequente rompimento,
é justamente a noção de energia psíquica, que para Freud seria de natureza sexual, enquanto que para Jung também poderia se manifestar de outras maneiras, como através da fome, da criatividade e nos impulsos de autopreservação, ação e reflexão.

A partir de seus estudos sobre diversas culturas e seu trabalho com pacientes esquizofrênicos, Jung chegou à conclusão de que, além do inconsciente pessoal - conforme descrito por Freud – existiriam conteúdos submersos comuns a toda humanidade, o que ele chamou de arquétipos do inconsciente coletivo. Estes conteúdos psíquicos se expressariam através de símbolos, que viriam à tona por meio de sonhos, mitos e expressões artísticas. Para ele, seria a partir da compreensão e integração de tais conteúdos simbólicos que a psique total do indivíduo poderia se desenvolver e amadurecer, em um processo que ele designou como Processo de Individuação, ou o tornar-se si mesmo.

No setting terapêutico, enquanto Freud procurava manter um distanciamento e neutralidade que acreditava ser importante para o processo; Jung postulava que a psicoterapia deveria acontecer no movimento dialético da relação entre médico e paciente, levando-se em consideração o contexto histórico e cultural do indivíduo em questão. As diferenças também são importantes no tocante à interpretação dos conteúdos que emergiam do inconsciente. Freud costumava interpretar material psíquico de maneira mais literal, sempre buscando o material sexual reprimido através da livre-associação; enquanto que  Jung procurava compreender os fenômenos psíquicos de maneira simbólica, procurando correlatos em mitos e fantasias da psique coletiva.

Em suma, podemos dizer que enquanto Freud desenvolve uma psicologia mais voltada para a relação entre consciência do ego e material inconsciente reprimido; Jung volta-se para questões da esfera arquetípica, compreendendo o ego apenas como o centro da consciência e parte integrante de um sistema maior, cuja instancia organizadora seria o Self, ou o Si-mesmo, ou seja, a totalidade psíquica. Para Jung, o inconsciente não se trata apenas de um repositório de material reprimido, mas seria também o receptáculo da memória ancestral e universal, fonte de criatividade e auto-regulação psíquica no caso de fluidez do eixo Ego-Self, ou seja, maior comunicação entre consciência e inconsciente; o que seria o objetivo final da análise de abordagem Junguiana.

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